Cena 2
05 fev 2012 Deixe um comentário
Descia a rua sem pressa, olhando a gente que enchia as calçadas, fumantes, amantes e madrugadores, ocasionais e inveterados. Todos cobertos pelos neons e pela mesma chuva que ela. Pensou em entrar no café da esquina, pedir um expresso e uma torta de menta. Tirar o livro imenso da bolsa e tentar passar da página 21. Mas nunca havia se sentado sozinha num café e suspeitava que pudesse sentir medo. Medo e vaidade. Não queria. Queria continuar descendo. Se encher da chuva e andar. Só assim podia não estar só e não se sentir e desamassar os desejos, tudo junto. Além de ver a arte de rua e se odiar por não ter uma câmera na bolsa.
Então descia e observava as bocas que falavam. Gostava de fantasiar o que diziam: brigas, apelos, confissões, maledicências ou uma crítica blasé de algum filme que ninguém veria. Duas putas conversavam sob uma marquise. Seria bom se sentar com elas e perguntar se tinham um sonho como o seu. E se sabiam de algum lugar pra alugar por ali.
Andava e pensava que se ele estivesse ali, faria algum comentário sobre o feminismo e sobre sua ousadia. Ela sorriria e os passantes, com seus cigarros, amores e olheiras, olhariam para os dois, sabendo que teriam filhos lindos. Filhos que aprenderiam caligrafia em folha de partitura. E aos finais de semana, juntariam os amigos num apartamento na Marquês de Paranaguá. Ela tomaria Dry Martini, não pelo gosto, mas porque era um jeito de ser bonita. “A culpa é desse biquinho que você faz”. As mulheres estariam floridas, sem se importarem com o tamanho do ventre, só com o do sorriso. E os homens fariam danças engraçadas, embriagadas e gritariam contra o sistema e a favor do futebol. Um deles pegaria o violão, o outro, uma colher de pau. Batucariam um samba e ela cantaria errado, porque sempre cantava errado. Riria de si. “A música redime os homens!”, brindaria um amigo. Haveria crianças, tantos sobrinhos, afilhados, uma geração de poetas-fedelhos. Um já vestiria pequenas calças andinas. Ele contaria uma piada péssima. Bobo. E ela riria dele, tão belo aos 40 como aos 20; o mesmo sorriso de quem acreditava que a vida podia ser boa. Boa o bastante, mesmo com chuva.
Talvez esse sonho envelhecesse e um dia olhasse para ele, como quem olha uma peça comprada há tempos, sem saber como já a vestiu. Por enquanto, pensou, deveria começar a beber Dry Martini. Ou andar, andar, andar. Até tudo ficar démodé.
Cena 1
05 fev 2012 Deixe um comentário
O rapaz digitava rapidamente algo em seu celular, enquanto ela percorria as opções do cardápio. Seu sanduíche favorito estava fora de cogitação. Terminaria o encontro com a Mata Atlântica nos dentes e isso, definitivamente, não seria bom. Talvez um grelhado. Não, muito arrogante. Uma tônica talvez. Mas eu estou com fome. E isso tudo é ridículo.
-Um café mocha, por favor.
O garçom anota o pedido e se dirige então ao rapaz, que ainda não abrira o cardápio a sua frente.
-Me vê um chope.
-Desejam mais alguma coisa?
-Não, por enquanto, é só isso, valeu.
O garçom se retira e o rapaz fica calado, dando tapinhas no saleiro.
Ok, um assunto. O que eu fiz mesmo hoje? Não, não, nada bom. Ele não vai se interessar por isso. Não fale de Klimt, Garcia Marquez, nem de projetos sociais. Você estragou tudo da última vez.
-Então, me conta como foi seu dia.
-Ah, encontrei uns camaradas. A gente saiu pra beber. Na verdade eu tenho bebido há três dias.
-Ah, bacana.
-Não muito. Mas eu tava meio sem ter o que fazer, os camaradas me chamaram. Férias, às vezes, são uma merda.
-São? – Ela não tirava férias há 2 anos.
-Você sabe…Eu fico em casa, durmo, acordo, minha mãe faz um lanche pra eu comer. Aí os camaradas me ligam. Eles sempre ligam. Aí a gente joga um pouco e bebe pra caralho. Aliás, desculpa o atraso. Os camaradas…
-Não, tudo bem. Acontece.
-Mas eu tô pra conseguir um trabalho.
-Nossa, que bom! E aí, o que você vai fazer?
-Eu não sei, na verdade. Mas vai sair uma grana, isso que importa.
Nas mesas vizinhas, os casais sorriam. Homens ampliando magicamente o tamanho dos ombros. Mulheres interessadas nos ombros dos homens. Já o rapaz a sua frente parecia estar se afundando na cadeira. Sem ombros, sem assunto e já sem o chope.
- Vou pedir mais um. Não quer também?
Ela balança a cabeça, enquanto olha para as gravuras que lotam a parede do café. Um assunto, um assunto. Ah, foda-se.
-Klimt é fantástico, né?
-Quem? O Eastwood?
-É, esse também. Qual seu filme favorito?
-Do Clint? Ah, não, não conheço bem. Ele fez uns cowboys, né? Ah, e tem também aquele filme que ele pega uma puta e se apaixona por ela, daquela musiquinha que ficou famosa e tal. É o mesmo cara, né?
-É. Talvez.
Deus, isso tudo é ridículo. E por que eu estou com esse vestido tão curto?
-Você gosta de ler?
-Gosto, gosto.
-Você deve conhecer o Gabriel Garcia Marquez então.
- Acho que não. Brasileiro?
-Colombiano.
-Ah, massa. Deve ter muita sacanagem nos livros desse cara, né?
Sacanagem é o que estou fazendo com a minha noite.
- Nem tanto. Mas e você? O que você gosta de ler?
-Ah, pra falar a verdade mesmo, eu li os livros da FUVEST. Mas eu lembro que curti. Tinha aquele do maluco que encanou que era corno.
-Uhm…
-Então, é isso…Mas ler é bom, é bom. Eu até tô com um livro lá em casa, ganhei de uma tia. Eu tô tentando ler, mas aí os camaradas me ligam…
-Sei.
-Mas e aí? Que mais você faz? Por que você trabalha e tá fazendo o doutorado, né? Foi mal, eu sei que você já me contou, mas num consigo guardar o que você ta pesquisando.
- É um estudo sobre…
- E tipo, sobra tempo pra fazer alguma coisa interessante?
-Ah, eu participo de uns projetos sociais…
-Tipo caridade?
O garçom aparece. Caridade.
-Você se importa da gente pedir a conta?
-Não, beleza. Eu vou mesmo encontrar com os camaradas ainda.
-Certo, então. A conta, por favor.
Vinte e dois reais. O cartão dele não passa.
- Beleza, da próxima vez a gente acerta.
Mas ela sabe que não vai ter próxima vez. Já na esquina, liga para a amiga, que aguardava notícias.
-Ai, querida. Não foi dessa vez.
-Mas o que houve?
-Ah, acho que ele não gostou muito de mim. Achei melhor ir embora logo pra não piorar as coisas. Estraguei tudo. Esse vestido é uma merda. E você acredita que eu falei de novo do Klimt?
12 jan 2012 2 Comentários
Décimo primeiro andar. Era ali onde se refugiavam as mães de filhos mortos, onde doentes pediam o alívio de sua dor e onde ela chegou, sem saber, ao certo, o porquê. Cautelosa, sentou-se no banco mais distante do altar-mor, ainda indecisa sobre o que fazer. Talvez se ajoelhar, recitar o Pai Nosso ou a Salve Rainha, como lhe haviam ensinado. Talvez, se não houvesse qualquer coisa de representação em tudo aquilo, se não se perguntasse a cada minuto o quão útil era estar ali e que direito tinha de solicitar que aquele Deus, tão ocupado com outras causas mais importantes, se ocupasse também com as dela.
Olhava a nave, a sequência de esculturas negras da Via Crucis e uma goteira, através da qual um pedaço da chuva, que encharcava a cidade naquela manhã, invadia a capela. Sem conseguir se decidir, afundou a cabeça no próprio peito e chorou. Chorou seus sonhos pequenos, seu ventre para sempre vazio e a certeza de tanta espera impossível de esperar. Abraçava a si própria, apertando os próprios braços, acariciando o próprio rosto e cabelos. Chorou até ouvir vozes que se aproximavam. Vozes de mulheres, de um homem e um riso de menino.
Não arriscou erguer a cabeça, pois sabia que seus olhos denunciariam os motivos pelos quais chorava. Um padre explicava ao menino, que os vitrais da capela eram de Di Cavalcanti e as esculturas, de Victor Brecheret. Vitor como ele. E o menino ria, acompanhado pelas mulheres. Imaginou-o correndo pela nave, olhando para a imagem robusta de São Paulo, encarapitando-se em algum dos bancos.
Quando decidiu, por fim, que já não havia tantas lágrimas e que seus modos poderiam parecer indelicados para o grupo, ergueu o rosto. O menino Vitor, deitado em uma maca, olhava o teto da capela, curioso, mexendo os pezinhos rapidamente. Devia estar com frio. Ela estava com frio.
As mulheres – eram três – arrastaram a maca até a frente do altar, onde se encontrava a grande cruz, de onde pendia um Jesus morto e passaram a explicar passagens do evangelho à criança. A essa altura o choro da moça já havia cessado por completo. Ela não queria que Vitor a visse chorando, pois seus pezinhos sentiam frio e não parecia justo chorar.
Recostou-se no banco e lá ficou por longo tempo, ouvindo a criança e suas perguntas. Lembrou de uma medalhinha de Nossa Senhora das Graças e do rapaz que lhe falara de fé. Quando era pequena, quis saber o que era isso. Era acreditar, disseram. Simples. Bonito. Mas acreditar em que?
Logo o grupo foi embora. Ainda pôde ouvir o padre começar a falar de futebol com o menino. Permaneceu ali por um longo tempo, escutando a chuva e, é verdade, chorando novamente. Mas pensou que talvez ainda pudesse acreditar em alguma coisa. Quem sabe no menino Vitor e em sua capacidade de sorrir.
Lavadeira
08 dez 2010 1 Comentário
Vou pra Bahia pra ver se lavo a alma na beira de um rio. Vou ver se fica branca, branquinha, e depois a deixo secar sob o sol. Sol da Bahia. Talvez até faça uma oração a um santo preto, que saia da peanha e sente comigo numa roda, onde toque samba e se ria em verso. Aconhegada a ele, pedirei pelos amores que perdi e pelos que ainda não encontrei.
Carta a alguém
25 set 2010 3 Comentários
B.,
As coisas vão bem por aqui. Consegui finalmente arranjar os livros nas prateleiras, meu cabelo obedeceu ao trabalho paciente dos grampos essa manhã e desencaixotei alguns álbuns antigos, que me proporcionaram uma tarde de espirros e recordações. O número de fotos diminuiu consideravelmente com a passagem dos anos e já há muito não se vê retratos meus. Os últimos são daquela viagem a Porto, quando lhe escrevi, contando que realizava enfim um sonho de moça. Deve se lembrar, pois fui muitíssimo indiscreta. Meu pequeno bilhete embriagado, que mesmo pretensamente disfarçado nas palavras se denunciava no vestígio rubro sobre o papel. Achei que gostaria daquela gota de vinho, afinal era o que poderia lhe enviar. Das palavras não sei se gostou.
Penso que isso não é importante agora. Seu gostar e desgostar sempre foram o meu gostar e desgostar, um pedaço de mim mesma revelado em sonho ou tormenta. No fim, sabe que lhe deixei todas as certezas. Hoje lhe deixo cartas.
A propósito, havia uma foto sua. Seus vinte anos sorriam tudo o que era. E você, em sua beleza tão pouco óbvia, pareceu-me eterno. Todo o restante estranhamente perece. Cada vez mais depressa.
Encerro aqui. Há ainda muito o que pensar, ordenar e cumprir. A chaleira apita sobre o fogão. Tem feito frio por esses lados e agora anoitece. Sempre anoitece.
Com amor
L.
(22/09/10)
(Teresinha ² + 2)
25 set 2010 1 Comentário
O primeiro lhe chegou em 1993. Foi surpreendido por ela com um pedido de namoro em troca do empréstimo de um lápis. Assustado, disse não.
O segundo confessou que lhe gostava em meio a um ensaio de quadrilha, ao que recebeu um sorriso com alguma provável janelinha e um “eu também”. Dias depois soube que ele se mudaria para algum lugar do qual nunca ouvira falar e que parecia muito distante do perímetro alcançado por seus oito anos. Não se chora por isso nessa idade. Brinca-se de Lego e se desenha uma princesa de longas tranças. Nos meses seguintes, não havia ele. Por muito tempo esperou revê-lo, pois, sabe-se, não são raros estes encontros sem aviso. Hoje já não se lembra de um de seus sobrenomes e se pergunta como ele está.
Anos depois, o terceiro. Este recebeu um bocado de pontapés na canela antes que ela encontrasse maneira melhor de demonstrar amor. Foi quando lhe escreveu uma carta, colocada às escondidas em sua mochila. No dia seguinte, em troca, ela ganhou um (primeiro) beijo, a permanente memória olfativa para tangerinas e um pedido de namoro. Tinha nome de anjo e aparelhos nos dentes.
O quarto arrancava suspiros concomitantes ou subseqüentes de toda mocinha que pisasse em seu caminho. Não se prestava, no entanto, a dar atenção a nenhuma delas, ainda preferindo videogames e futebol.
Logo em seguida, o quinto. Gostava de rodeios, mulheres à venda após a aula e qualquer substância alucinógena que a oportunidade apresentasse. Já ela, gostava dele. O namoro entre os dois foi breve, a história nem tanto. Dividido entre duas cidades e entre duas saias as quais enganar significou um certo trabalho. Anos mais tarde, ela teve noticias de algumas prisões. Motivo desconhecido.
Gostou do sexto assim que o viu. Cabelo alourado, sorriso largo e uma namorada com nome incomum. O único judeu. Negligente com os estudos, dava a ela a alegria de ensinar-lhe física e química às vésperas de prova. Nos demais dias, era facilmente ignorada. Nunca deixou que ele soubesse.
Amou o sétimo. Foi amada por ele. Paixão exagerada, desejos demasiados, tudo era muito. Porém, como alguns acontecimentos sem razão clara, um dia o amor de ambos se transformou em telefonemas rotineiros e ofensas mútuas. Silêncio e solidão deram lugar ao oitavo.
Este era doce. Discretamente encostavam suas mãos sob a mesa. À noite, ela lia os versos que ele compunha com facilidade despretensiosa. Pactuavam um sentimento que sabiam irrealizável. Um dia ela quase lhe roubou um beijo. Nos milímetros que separaram as bocas, ficou a certeza de que para serem vividas, algumas histórias não precisam ser concretizadas.
O nono era dado a discussões filosóficas e críticas musicais. Ensinou-lhe teorias políticas e aprendeu com ela um pouco do amor. Fazia-lhe rir, tinha péssimo gosto para filmes e era um ótimo parceiro de diálogos intermináveis. Até que se esvaiu. Ela ainda tenta descobrir o que ficou.
Quanto ao décimo, não se sabe o que sentiu. Porém, se paixão pode ser medida por lágrimas e consumo de álcool, sim, de certa forma o quis. Foi seu amor noturno. Amor de corpo. Se havia algum coração no rapaz, este se encontrava decerto do outro lado do Atlântico. Depois dele, restaram as rodas de samba.
Chegamos ao décimo primeiro. Pergunta-se para onde olhava que não o viu. Está agora a ponto de transbordar, de dizer-lhe óbvio. No súbito encantamento de se notar ao lado dele, esquece do que se fala, perdida nos movimentos de sua boca. Quer tocá-lo, mas sua mão retrocede a cada tentativa. Ele a observa do alto. É lindo e não a quer.
Inveja daquela que encerrou sua história após o terceiro cavalheiro.
(11/09/10)
Samba. E choro.
25 set 2010 Deixe um comentário
Chora a moça de branco alheia ao samba. Chora um choro guardado, repentinamente emerso diante dos que bebem e riem um fim de domingo. Choro tornado público aos que cantam às custas das manhãs seguintes; às custas de tantas moças de branco.
Mágoa liquefeita que transforma em drama esse momento. Mágoa desfeita na garrafa que lhe escapa da mão. Cerveja no chão e mais nem uma lágrima. Ao fundo, Noel.
(12/01/10)
Já é noite, meu bem
25 set 2010 Deixe um comentário
Já é noite, meu bem. Eu preciso ir. As horas correram e nos trouxeram até aqui. Há silêncio e blefes jogados no escuro. Escuta-os como verdade. Mas eu nunca te disse a verdade. Nem sei das suas feições à luz do dia. E talvez você não exista sob o sol. Sei apenas dos seus contornos marcados por suor e sombra, lindos.
Dorme como se o mundo não fosse uma sobreposição de enganos, medo e dor. Como se as moças esquálidas dos cortiços da cidade não sonhassem sonhos mortos, sentadas à beira de portas sem batentes. Dorme, porque no seu mundo não há nenhum perigo. E eu olho pra você – agora que é noite – sabendo que o meu único perigo estava bem aqui, transfigurado em menino.
As noites trouxeram você até mim em pequenas estrofes datadas de um tempo em que o amor doía menos. Mas seu mundo é composto em um ritmo obviamente distinto do meu. Não me chame pra dançar. Apenas entenda que se fui oca e sem palavras é porque havia verdades demais sob a pele que te tocava. E se me comovo facilmente é porque já é noite, meu bem.
(29/11/09)
[...]
25 set 2010 Deixe um comentário
Depois de muitos ensaios e frases inacabadas decidiu que naquela noite nada escreveria. Mesmo que as palavras continuassem a vir em ânsias, atrevidas e irresponsáveis, e as pontas de seus dedos se movessem à procura de teclas imaginárias. Não se denunciaria. Abdicaria dos títulos, das metáforas clichês e dos pontos finais. Ficaria apenas na forma de uma mudez repetida que acabaria por puir as perguntas não feitas. Aos observadores, um minuto de silêncio. Pensariam que honrava o dois de novembro. Respeitável.
(2/11/09)
Blackout
25 set 2010 Deixe um comentário
Nove corpos que se entrelaçam no escuro. Não se sabe quem é a dona daquele pé ou quem perdeu aquela frase que percorre os rostos e provoca gargalhadas. No meio, uma bailarina conta como defendeu sua honra empunhando advérbios de negação e lágrimas. Há ainda a dona do sorriso luminoso que canta ao celular uma canção caipira lembrada aos gritos. E há aquelas que esperam. Uma próxima noite, o amor que ainda não veio, aquele que ainda não voltou, um filho. E brincamos de nos perguntar, de segredar nossos segredos já tão públicos, de confessar nossos delitos cometidos em arroubos de indignidade. Aos poucos e com panelas de brigadeiro, aprendemos a nos perdoar diariamente por tanto macular nosso sexo.
Vocês são lindas em seus rostos laranjas pintados por chama de vela. Não parem de sorrir, meninas. Há qualquer coisa bela demais na escuridão.
(11/09/09)